Continuação entrevista Profa. Ingrid

No INEI - Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação - realizamos desde 2007  vários estudos sobre a capacidade de inovar das organizações brasileiras e verificamos que um dos principais fatores restritivos à inovação é a falta de conhecimento dos gestores brasileiros sobre como identificar e gerir ativos tangíveis e intangíveis - recursos humanos, financeiros e tecnológicos  -  existentes em seu ecossistema de negócios para alavancar a  capacidade inovadora de suas organizações.  Isto ocorre  independente do porte ou setor no qual atuam.  Existem, é claro, vários outros fatores restritivos que contribuem para que o país não consiga atingir patamares mais altos no ranking global de inovação.

Se você me perguntar  qual o principal desafio dos gestores brasileiros dentro deste cenário, eu diria que se traduz em desenvolver estratégias competitivas e modelos de gestão dos processos de inovação de maneira a  incorporá-los nas rotinas e sistemas organizacionais de forma contínua. 

Se olharmos para este cenário sob a ótica da inovação, podemos traduzir estas lacunas em oportunidades para implementar ações que apoiem nossos gestores a introduzir a inovação em seus processos produtivos por meio da educação continuada. 

Aliando a minha experiência na área de inovação no INEI com o trabalho de docência que realizo na Fundação Getúlio Vargas desde 2001, decidimos montar o programa de Gestão Estratégica da Inovação que será lançado no Rio de Janeiro, no primeiro semestre de 2015.

 

2.       Quais seriam os objetivos do curso?

O MBA em Gestão Estratégica da Inovação  tem como foco desenvolver as competências técnicas, gerenciais, comportamentais e sócio-emocionais necessárias à formação de profissionais que têm interesse em trabalhar direta ou indiretamente com a Gestão da Inovação.   

Objetiva habilitar os participantes a compreenderem, de forma sistêmica e dinâmica,  os processos que sustentam a inovação em suas organizações, elaborarem soluções estratégicas inovadoras para se posicionarem competitivamente nos mercados  em que atuam,  e implementarem projetos de inovação com o intuito de criar valor econômico, social e ambiental.

 

3.      Qual o público-alvo deste programa?

O programa é dirigido a profissionais que atuam em qualquer área de gestão,  assim como executivos, empresários, empreendedores e consultores internos e externos de organizações públicas, privadas e do terceiro setor, de pequeno, médio e grande portes, que têm interesse em trabalhar direta ou indiretamente com a Gestão da Inovação.  Portanto, atende uma ampla gama de profissionais.

 

4.   Quais seriam os diferenciais do curso?

Gostaria de responder esta pergunta abordando duas vertentes complementares:  a da FGV e do aluno participante.

Inicialmente, podemos mencionar como diferencial a forma como o programa foi elaborado.  É o primeiro MBA da Fundação Getúlio Vargas que foi co-criado com 32 especialistas de mercado. Ouvimos o mercado, suas demandas e necessidades, e contamos com  a valiosa contribuição  de gestores  de organizações como FINEP, FAPERJ, BNDES, 3M, CRIATEC, TEMPLO, PETROBRAS, TV GLOBO, LIGHT, MJV,  Veirano Advogados, Archive TI, além de consultorias especializadas em inovação e educação, incubadoras, aceleradoras e núcleos de inovação tecnológica.

Ao longo de 8 meses discutimos e refinamos o curso  com estes profissionais.  Fundamentalmente, desde sua concepção,  optamos por adotar uma metodologia aberta de inovação e co-criar um programa com o mercado e para o mercado.

Neste trabalho colaborativo desenvolvemos um Projeto pedagógico por competências, no qual o aluno irá desenvolver o conhecimento teórico, aliado as competências técnicas, gerenciais, comportamentais e sócio-emocionais necessárias a profissionais que têm interesse em trabalhar direta ou indiretamente com Gestão da Inovação.

Os professores estão ministrando oficinas de compartilhamento de conhecimento e expertise com os demais, co-criando o material didático e a metodologia de ensino-aprendizagem usando ferramentas e tecnologias inovadoras de ensino como o Innovation Playboard® (Tabuleiro de Inovação), e fazendo visitas técnicas a empresas inovadoras, parques tecnológicos e  de áreas de P. D. & I. 

Estamos também avaliando as melhores ferramentas para implementar os processos de Gestão do Conhecimento de nosso programa, que irão agregar imenso valor ao corpo docente como um todo, e, principalmente, aos nossos alunos, pois em conjunto com eles iremos criar Bancos de Boas Práticas em gestão da inovação, Lições Aprendidas e  Pontos de Alerta, Banco de Oportunidades profissionais, mapas geo-referenciados dos institutos, centro de inovação, clusters & parques tecnológicos brasileiros, além de um Banco de artigos científicos, relatórios, teses, dissertações e monografias. 

Visando fortalecer as competências técnicas, profissionais e comportamentais, os participantes participarão de Fóruns de Inovação, Laboratórios e Redes de Inovação,  nos quais irão aliar os conhecimentos, conceitos e fundamentos teóricos à práticas inovadoras de gestão, compartilhar boas práticas, e trocar experiências com pesquisadores, professores e consultores-especialistas nas diversas  áreas de conhecimento  da  gestão da inovação. 

Está prevista a realização de dois Fóruns ao longo do curso.  Nestes serão apresentados casos reais de organizações nacionais e internacionais,  e debatidos os principais desafios empresariais encontrados na implementação de projetos de inovação, considerando-se a realidade organizacional e mercadológica brasileira e as oportunidades geradas pelo sistema da Ciência, Tecnologia e Inovação brasileiro.  

Contando com a participação de palestrantes, especialistas e  professores de algumas das disciplinas, no primeiro Fórum será apresentado o Sistema Nacional de Inovação e serão debatidas as Leis Estaduais e Federais de apoio e incentivo à inovação no Brasil, as principais tendências tecnológicas no mercado nacional e internacional, a inovação aberta e as oportunidades de prospecção tecnológica,  desenvolvimento de projetos de cooperação tecnológica e internacionalização de processos de P & D.

No segundo Fórum a ser realizado no final do programa no formato de um Demo Day, os alunos  terão a oportunidade de apresentar e debater suas ideias inovadoras com profissionais de mercado de diversas áreas de gestão da inovação,  e receber feedback/orientação para o desenvolvimento de seus projetos.  Contando também com a presença de VC e representantes de instituições de apoio e fomento à inovação, os alunos poderão interagir diretamente com estes especialistas visando obter diversas modalidades de suporte financeiro e/ou não financeiro para a implementação de seus projetos de inovação. 

As atividades realizadas por meio do Laboratório de Inovação tem como principal foco promover a articulação entre a teoria e a prática no que concerne o desenvolvimento de projetos de inovação e negócios inovadores sustentáveis, e os alunos irão desenvolver, iterar e refinar os protótipos de novos produtos e serviços, de forma a validar os modelos de negócios propostos, e viabilizar a criação de valor econômico, social e/ou ambiental de seus projetos de inovação.

Os participantes também integrarão Comunidades de Práticas em setores específicos, redes de Inovação e Grupos Interativos de Gestão do Conhecimento e Inovação. Utilizando-se de meios virtuais como skype, blogs, Fóruns virtuais e outras ferramentas colaborativas, os participantes poderão interagir com especialistas das áreas de empreendedorismo e inovação e os demais integrantes do curso.  Por meio da interação promovida pelos Fóruns e Redes de Inovação, os participantes do curso poderão organizar visitas à empresas reconhecidamente inovadoras e trocar experiências com seus gestores dentro das áreas de seu interesse profissional.

Portanto, todo o programa irá girar em torno de três grandes eixos focados no planejamento, desenvolvimento e validação dos projetos de inovação elaborados pelos alunos.

Assim sendo, gostaria de destacar outro grande diferencial deste programa: adotaremos a metodologia 70-30, com ênfase em  atividades práticas em campo, no qual o aluno terá o oportunidade de desenvolver seu Projeto de Inovação, de forma que seja prototipado, testado, refinado e validado pelo mercado ao longo do curso. Isto constituirá o TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. 

 

5.       O que seria a metodologia 70/30?

A metodologia 70/30 trabalha três pilares essenciais à educação executiva no século XXI : o Saber, o Fazer e o Conviver.  Portanto, 30% das atividades realizadas pelo aluno estarão focadas nos fundamentos teóricos voltados para o planejamento e elaboração do projeto de inovação, e 70% voltadas para o desenvolvimento, prototipação, teste, refinamento e validação do projeto de inovação no mercado.   Os alunos, portanto, devem se preparar para trabalhar duro em sala e em campo, uma vez que inovar não é fácil e exige 99% de transpiração!

 

6.       Como serão as aulas?

Além de aulas expositivas e interativas, os alunos participarão de atividades práticas em sala e em campo como realizar Diagnósticos: Perfil de Inovação, Nível de maturidade em Projetos, Gestão do Conhecimento; desenvolver seu plano de ação em gestão da inovação -  personal innovation balanced score card, participar de Innovation Games, estudos de casos, dinâmicas e exercícios, seminários, debates polarizados, construção de mapas mentais, pesquisas. Irão também  apresentar lições aprendidas e cases de feiras, seminários, congressos, além de participar de desafios específicos relacionados a cada disciplina para desenvolver competências complementares, por meio do Innovation Playboard®.   

Irão  ainda, desenvolver e testar protótipos de produtos e serviços minimamente viáveis, resolver problemas com a aplicação de Canvas, Curvas de valor e outras matrizes, desenvolver roteiros e planos para atividades em campo, fazer o pitching de seus projetos, entrevistar pesquisadores e especialistas, e desenvolver novas práticas em Gestão da Inovação a serem levadas e testadas no mercado. Muitas outras atividades de campo estão previstas diretamente relacionadas com cada disciplina.

Buscamos trazer os desafios e os componentes do envolvimento, engajamento e co-criação que a gamificação como instrumento de ensino-aprendizagem nos oferece.

 

7.    Como você analisa o perfil dos egressos dos cursos de graduação? Eles não estão preparados para inovar?

Talvez estejam mais preparados do que a geração que nasceu nos anos 50 e 60.  Acreditamos que a geração Y, X e Z têm um drive empreendedor mais forte, mas precisam desenvolver uma série de outras competências fundamentais para atuar no campo da inovação, como paciência, resiliencia, tolerância às restrições que vivem em um mundo não virtual!!!

 

8.       Como será o profissional egresso desse curso?   Quais são as suas expectativas com relação às novas competências e habilidades adquiridas?

Neste programa buscamos desenvolver as competências necessárias para qualquer gestor que se interessa ou pretende trabalhar direta ou indiretamente com Gestão da Inovação.  Entendemos que o mercado de trabalho para este tipo de profissional está se  abrindo sempre mais, uma vez que vivenciamos um esforço conjunto do governo, instituições públicas, academia e empresas privadas em alavancar a capacidade de inovação de nossas organizações e do país como um todo.  Juntamente iremos abrir sempre mais este mercado.  Vamos em frente!

 

Ingrid Stoeckicht, D. Sc.